Um blog repleto de dicas de viagem e roteiros diferentes. Uma aventura pelas terras da América do Norte mais especificamente Orlando nos Estados Unidos e Toronto no Canadá. Confira as melhores sugestões de passeios e relatos dessa experiência maravilhosa.
segunda-feira, 28 de maio de 2012
A saga do visto parte II
Conseguir uma entrevista no consulado para a semana seguinte era considerado praticamente impossível. Mesmo tendo o papel em mãos confirmando as datas, eu ainda não podia acreditar que tinha sido tão "fácil".
Teria tempo de pensar sobre isso melhor no voo de 45 minutos de Fortaleza para Natal. Eu sei que o Consulado é em Recife, mas eu fui visitar minha sogrinha antes.
Mas antes de eu embarcar, quase tenho um treco. Isso porque cheguei no balcão e falei para a moça: O voo para Natal. E ela muito sorridente disse: O embarque foi encerrado. O coração literalmente pulou da minha boca. Aí ela olhou minha reserva com atenção e disse: ah o balcão da Azul é aqui do lado. Minha gente, alguém me explique porque o balcão da Azul é dividido com a Web Jet.
Passado o susto, só “sosseguei” quando sentei na poltrona e meti as caras na cruzadinha até o avião pousar. Natal vai, natal vem, no dia seguinte era o dia entrevista e estávamos a apenas uns 300 km de distância do CASV (Centro de atendimento ao solicitante do visto americano) e iriamos percorrer tudo isso de carro. Às 12h ainda estávamos em Natal e a entrevista era às 17. E se eu disse que às 13h ainda não havíamos deixado a capital potiguar. Sim, o coração esteve na minha mão durante as três horas de viagem.
Às 16h chegamos na capital Pernambucana. Que alívio. Uma hora pra chegar no CASV com tranquilidade. E quem sabia aonde era o tal lugar? Todo mundo, menos a gente. Paramos e perguntamos umas três vezes e pelo menos as pessoas eram super prestativas. E finalmente às 16:25 estavamos atravessando a rua para chegar lá.
Passamos pela triagem, mas enganchei no RAIO X. a moça olhou minha bolsa. E foi dizendo: não pode remédio, nem fone de ouvido, nem essa caneta, nem o celular, nem o soro da lente, nem o bombom.
Aí eu perguntei: aonde eu deixo tudo?
Ela: não sei, senhora.
EU: posso deixar aqui?
Ela: não.
Resultado: Osório teve que ficar segurando minha bolsa lá fora enquanto eu entrava. Ao chegar voce é mandando pra uma espécie de cabine. Depois de três tentativas ele conseguiu tirar uma foto que prestasse. Dias depois eu vi que fiquei com uma cara de nojo pior do que a minha normal.
Depois ele me fez umas perguntas confirmando endereço e disse que eu já podia ir. Se não fosse eu perguntando pelas digitais com certeza teria que ir lá de novo só pra fazer isso.
Esse negócio de digitais foi uma comotion. Meus dedos não eram aceitos porque estavam super suados. Quando o polegar passava os outros quatro eram reprovados. Aí veio um cônsul falando espanhol comigo e outro funcionário veio limpar a máquina coberta de suor. e eu com cara de paisagem.
Quando saí, lá estava Osório me esperando com cara de poucos amigos. Quem manda não ler todas as instruções do Consulado, Suzana? E em menos de cinco minutos o menino saiu.
No dia seguinte acordamos cedo e resolvemos arriscar para chegar mais cedo no consulado. Nossa entrevista estava marcada para meio dia, mas quem não arrisca, não petisca! O consulado estava simplesmente vazio!! Tinha mais funcionário do que gente aplicando pro visto. Dessa vez eu só levei dinheiro e minha identidade. abandonei bolsa, celular, carteira. Depois de passar pelo raio X eles checaram nossos documentos pela milésima vez. Daí Osório foi pagar a tal taxa de reciprocidade porque nosso visto de representante cultural tem que pagar essa taxa de diplomacia que nunca entendi pra que. apesar de no site eles terem dito que podia pagar em moeda americana, o Consulado decidiu que queria mesmo era real ou cartão de crédito. Resultado: ficamos com R$ 7 no bolso. Uma maravilha.
Fui obrigada a passar pelo mesmo constrangimento de pegar a digital e passar séculos para poder captar por causa dos meus deditos. depois de mais essa humilhação, lá fomos nós para a dita entrevista. A representante consular era a coisa mais fofa do mundo, uma gordinha grisalha que falava um português bonitnho. Quando ela viu do que se tratava meteu-se a falar inglês. Depois de algumas perguntas ela ficou lendo nossos formulários DS e do nada ela soltou: Sorry, I got a lot of crap to read. I mean, stuff. Como assim a moça falando palavrão na cara da gente. Cadê formalidade? Cadê tensão?
Depois de aprender que o novo sinônimo de desempregado era free lancer, ela só relaxou quando viu o visto canadense e percebeu que a gente iria logo depois pro Canadá e prometeu não cancelar o visto de turista. E se ela duvidasse que a gente tinha intenção de ficar ilegal por ali, ela cancelaria sem o menor remorso.
Depois de mais algumas perguntas bobas e sem pedir nenhum dos mil documentos ela avisou: you're good to go.
Entendemos que aquilo confirmava que o visto tinha sido concedido e era só esperar o passaporte chegar. E rezar para o consulado não ter feito nenhuma besteira como o de São Paulo que deu visto de turista pra alguns que tinham solicitado o Q1.
A volta de carro foi muito mais tranquila. Mas a volta para Fortaleza foi tensa com c cedilha. Não apenas a turbulência atacou como existia uma goteira bem em cima da minha cabine. Tive quase certeza que não ia dar pra chegar lá e descontei tudo na cruzadinha que ficou toda tremida. Quando o avião pousou, quase beijei o chão de tanto alívio.
Agora que vocês sabem mais ou menos como tudo começou, vou começar a postar de Orlando e Toronto, explicando o que eu vou fazer e o que tem de bom por aquelas terrinhas lá pra cima.
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