domingo, 23 de dezembro de 2012

Caçando empregos parte I

Muita gente pensa que aqui no Canadá se chega em um dia e no outro já está trabalhando. É fato que aqui tem muita oportunidade de emprego. Mas ou as vagas são muito específicas- tipo engenheiro físico- químico para fabricar o asfalto das pontes perto do lago Ontário-  ou então é trabalho pesado- leia-se remover neve, e limpar entulho de prédios em construção. Ainda tem aqueles que chegam aqui com status de imigrante e acham que o país tem a obrigação de lhe achar emprego. E se a pessoa era presidente ou gerente de não sei das quantas no Brasil, ela ainda pensa que pode começar com o mesmo cargo por aqui.
Segurem seus cavalos, pois existe um caminho longo e árduo até o topo.  Quando cheguei, estava bem certa de que não ia ser bam bam bam do dia pra noite. Apesar de ter acabado de chegar dos States, e ter trabalhando na Disney, eu tinha perfeita noção que o que mais conta por aqui é a tal experiência canadense.
Como minha professora repetia todo começo de aula, o Canadá teve certo impacto na crise mundial e isso afetou tambem as vagas de trabalho. O que ela queria me dizer mesmo era isso: minha filha, se nem canadense está conseguindo emprego fácil, você acha que você vai conseguir? De qualquer forma, ela só sossegou enquanto eu tive duas entrevistas marcadas e ainda assim ela continuava me mostrando vagas de emprego. 

ONDE PROCURAR
Assim, que cheguei por aqui fui logo catando emprego. Preparei um currículo mais ou menos e entrei nos sites Kijiji e Craigslist. Quanta desilusão. Se você quiser emprego sério, nunca procure vaga nesses benditos sites. Além de muitos empregos serem cheios de esquemas que podem te colocar em risco, as empresas decentes não postam seus anúncios nesses lugares. Agora, se você quiser bicos, sinta-se à vontade para explorar a sessão de empregos. 
Depois eu descobri o querido INDEED.CA que tem muitas vagas maravilhosas assim como o Workpolis e Monster. A coisa chata desses sites é ter que preencher dez mil coisas, dar todas as suas informações, que podem ou não ser vendidas para agências de telemarketing e aí  você pensa que o processo terminou quando você fez o upload do currículo, ainda tem a bendita cover letter.
 É a hora em que você tem que se vender. É basicamente tudo o que está escrito no seu currículo, explicando porque você merece é o tal para preencher aquela vaga. Minha sugestão é sempre achar as palavras chaves dos requisitos e descrição da vaga e mixar junto com suas qualidades profissionais. Depois de fazer o upload da cover letter, corrigir mais uma mil vezes, vem a benção do teste de inteligência emocional. Isso te custa entre 30 e 40 minutos enquanto você pondera se gosta de trabalhar em grupo, se se sente mal ao chegar atrasado, se acha OK seu colega roubar algo da loja na sua frente.Não sei se eu sou muito honesta nesses testes ou se eles me acham uma criatura que não responde muito bem à essas emoções.  E tudo isso para não receber nem uma ligação te parabenizando por ter feito um ótimo trabalho no currículo e na cover letter. Sim, é frustrante, mas pode valer a pena algum dia. O convite para uma entrevista pode chegar meses depois de você ter feito todos esses testes. 
Minha professora de Business me mandou usar também o LinkedIn porque segundo ela, os Hiring Managers estão caçando candidatos por lá. Na verdade, nunca funcionou comigo, mas uma manager entrou em contato com o Osório através desse site. Além da internet, existe também um jornal só de empregos que sai duas vezes na semana e é de graça. 
Se o negócio apertar, ainda tem a opção de ir numa agência de empregos ou então numa ONG especializada nisso, mas apenas para imigrantes ou refugiados, o que não é meu caso. Para os brasileiros, ainda tem o quadro de empregos do Brasil Remittance. Você vai lá, pega um papel e escreve o que você saber fazer, se fala inglês ou não e é sempre bom enfatizar que tem cartão de trabalho. Eu fiz isso, mas mesmo assim não funcionou. Honestamente, a única coisa que funcionou para mim foi ir in loco para entregar meu CV. Mas para isso, eu precisava de um CV decente. 

PREPARANDO O CURRÍCULO
Quando minha professora e a coordenadora do curso viram meu CV fajuto, me deram uma bronca. Primeiro, ele não estava nos moldes canadenses. Segundo, ele não focava numa posição de trabalho específica. Então elas perguntaram o que eu queria fazer. Bom, já que eu tinha que começar de algum lugar, decidi começar de baixo. Trabalhar em loja é a ralé da ralé da cadeia empregatícia. Isso porque um peão ou o moço que limpa a estação de trem ou o motorista de ônibus, ganham o triplo do que um vendedor ganha. 
Aqui não existe esse negócio de salário mínimo e sim hora mínima. O governo canadense determinou que a hora mínima seria $10,25 e é isso que se ganha em loja. A não ser que tenha comissão. Mas isso só acontece em lojas uber luxuosas e ryyycaas que querem ver os pobres empregados arrancando os olhos uns dos outros para ganham em cima da venda. Isso aí não é muito a minha praia.
Depois de ter corrigido e recorrigido meu CV mostrei para a Carol, minha prof, ela me disse: seu currículo é muito bom para trabalhar como vendedora. Por que você não tenta um cargo mais alto? 
Expliquei que tinha que primeiro conhecer o campo e me sentir segura pra depois roubar as vagas dos conterrâneos dela.  

CORAGEM
Confesso que não é nada fácil ver o anúncio que estão precisando de vendedores na vitrine da loja e entrar para aplicar para a vaga.  Com o tempo, desenvolvi um método para fazer isso com elegância. Primeiro você passa e olha o anúncio e que tipo de vaga eles oferecem. Depois você entra na loja e analisa o povo que trabalha lá dentro. Só então você saca sua pasta contendo uma dúzia e meia de papel e anuncia com um lindo sorriso no rosto: Oi, eu gostaria de aplicar para a vaga de vendedora! 
No começo minha voz quase não saía e elas faziam questão de não entender meu inglês americanizado. Depois de várias tentativas eu chegava e perguntava direto pelo manager e entregava o CV em mãos do dito ou dita cuja. De vários e vários currículos entregues assim, consegui cinco entrevistas. Dessas, três me ofereceram trabalho. 


DE FRENTE COM O FUTURO  PATRÃO
Sempre achei que as entrevistas de emprego fossem a metade do caminho para ser efetivado. Até porque vamos combinar, que se seu currículo foi selecionado de uma pilha de muitos outros, é porque algum valor para a empresa você tem. Na minha cabeça, a chance de você conseguir o emprego depois disso é cinquenta por cento. Tudo o que você tem que fazer é deixar uma boa impressão enquanto responde tudo o que eles querem ouvir. As perguntas nunca são as mesmas e ao mesmo tempo, as respostas são todas parecidas. A Carol separou aulas só para nos preparar (eu e Osório) para uma entrevista. Ela deu uma lista de perguntas referentes apenas à customer service e perguntas gerais, assim como o que o empregador não pode nunca perguntar. Coisas muito íntimas, como por exemplo, se você tem filhos, se é casado, quantos anos tem, qual é seu status no Canadá nunca podem ser perguntadas pelo patrão. 
Eu sempre fico nervosa, e isso é totalmente normal. Canadense adora falar sobre o tempo então toda vida começo a entrevista dizendo: está frio, eh? Logo depois disso, o gelo é quebrado e aí eu consigo relaxar. 
Além de estar vestido decentemente, é importante ter em mãos uma cópia do seu CV para o caso de o entrevistador te pedir, assim como uma lista de no máximo três referências com o número de telefone e e-mail. Essas referências podem ser professores, colegas de trabalho, managers, mas nunca família. Sempre que essas referências são requisitadas no final da entrevista, pode ter certeza que a vaga é 70% sua. 

Como o post ficou muito longo, deixarei para falar de cada entrevista na próxima parte.
Beijos mil.



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