segunda-feira, 13 de maio de 2013

Canadenses: eles adoram interagir com desconhecidos


Tem gente que fica achando que Canadense é frio e não sei o que mais lá. Eles adoram interagir com desconhecidos em qualquer lugar.Se você está parado com um mapa no meio da cidade, eles oferecem ajuda. Se não tem assunto nenhum, eles falam sobre o tempo.
 Já perdi a conta das vezes que as pessoas me perguntam tanto no metrô como no meio da rua aonde é o banco, se o shopping está próximo, etc. Hoje vou contar umas interações meio cômicas que aconteceram comigo. Tenham em mente que eu não sou a pessoa que adora falar com estranhos.



O curioso
Logo quando chegamos em Toronto, estávamos eu e Osório conversando no metrô e tinha um cara do lado cochilando. Minutos depois ele acorda e me pergunta:
-Que língua é essa que vocês estão falando?
Eu respondo e deixo o Osório fazer as vezes de Embaixador do Brasil. Ele sempre segue o mesmo script nessas situacôes:
-Você já foi ao Brasil?
-Quando você for, vá para o Nordeste.
-A Copa está chegando, é uma ótima oportunidade de conhecer esse país tão rico, tão lindo, e blá blá blá.


A mulher que não sabia o que era espaço pessoal- aka The Bubble

Saí de uma reunião na HarperCollins e peguei o metrô na hora do rush que aqui é entre 5 e 6:30 da tarde. Quando entro no metrô sinto uma pessoa pegar no meu braço e quando eu olho a mulher está praticamente gritando:
-Meu  Deus! Que brincos lindos.
Ainda paralisada eu agradeço. Mas ela não se dá por vencida:
-Combinam com seus olhos!
Eu agradeço mais uma vez e me agarro no Kobo.


A louca dos pets
Aqui é comum ver cachorro andando no transporte público. Bom, aqui é comum ver cachorro andando em todo canto. Que cidadezinha pra ter cachorro. Até eu, que não morro de amores pelos bichos também fico babando quando entra um. E foi nessa situação que a senhorinha que estava do meu lado no street car veio me perguntar:
-Você tem cachorro?
Eu mandei logo a conversa pro meu irmão:
-Tenho não, mas ele tem.
Allan ri e fala as raças dos cachorros. Mas a mulher cismou comigo. Aí ela tira o celular e me mostra não apenas uma foto de um bicho. Ela me mostra o álbum de todos os pets dela.
Aí você pensa que acabou. Não. Eu levanto para a descer na próxima parada e ela faz o mesmo dizendo:
-Oh, somos vizinhas.
Eu dou um sorriso amarelo e desço arrastando mamãe e Allan pela rua antes que a mulher me siga.

A estridente do Dollarama
Estávamos eu e mamãe fazendo as últimas compras antes de ela voltar pro Brasil lá na Dollarama (depois faço um post falando dessa maravilha do capitalismo). Eu escuto uma pessoa falando e falando com uma criança nos corredores. Ela falava alto para os padrões canadenses e quando viu nosso carrinho gritou em inglês apontando para um bacia de plástico como se fosse a coroa da Rainha Elizabeth:
-Aonde você achou isso? Eu estava justamente procurando por isso?
Fiquei estatelada aonde eu estava e mamãe apontou o lugar aonde ela tinha achado o tal aparato.
Eles não poupam nem os não-falantes da língua.

O dia em que fui confundida com uma branca
Esta interação canadense não foi a mais feliz da minha vida. Mas preciso reportá-la pelo simples motivo de agora ser engraçado. Estava eu voltando do trabalho atravessando a rua quando vejo um grupo de negros - por favor, eu não sou preconceituosa, mas preciso ambientar a cena para vocês entenderem- vindo na direção contrária. Nos cruzamos no meio do caminho e escuto um deles dizendo:
-Yeah, walk along, white trash! (traduzindo: é, vai andando, seu lixo branco)
Pra quem não sabe, white trash é uma expressão super ofensiva para os brancos. Se um negro quer ofender um branco ele diz isso.
Mas eu fiquei com raiva justamente pelo motivo contrário. Eu tive vontade de gritar na cara dele: EU NÃO SOU BRANCA! Mas, como eles eram três eu apenas uma e "branca", eu fiz justamente o que o moço ordenou: eu fui andando.



Estou começando a achar que a moda pega. Estava eu sentada no ônibus e vi uma mulher com um case de e-reader super fofo, mas lindo mesmo.Acho que este seria o único e último motivo que me faria fazer o que eu fiz. Eu me escuto perguntando:
-Aonde você comprou isso?
Ela, sem olhar pra minha cara responde:
-Veio junto com o e-reader.
E, pasmem, eu retruco:
-É linda!

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