quinta-feira, 17 de maio de 2012

Resolvendo morar fora



Você vão entender o título depois. Mas eu preciso começar de ontem terminei. Ou não terminei, porque teve gente que achou o posto incompleto. Então vamos continuar com o dia da entrevista. Saímos do Senai, Sesc sei lá o nome do lugar onde foi a palestra da Disney e corremos pro aeroporto tentar pegar o próximo voo. Só lá no balcão da TAM ficamos sabendo que adiantar um voo não se cobra nada. Já se voce quiser pegar um voo depois do seu horário, boa sorte, tem que pagar taxas. #fikdik 

Nosso vôo original era pra ser lá pras 21h e ainda eram 15h. Tirando o fato que a gente ia pra Teresina e de lá pra Fortaleza e só chegaríamos à capital umas 3 da manhã.  Com muita sorte vimos que a moça da TAM era uma helper. Porque tem as helpers e tem as bitches. E no final das contas só tínhamos que ir pra Brasília, esperar uma horinha e voar pra casa. Então tava tudo certo, tudo lindo, um dia perfeito. A tensão tinha passado, eu tinha três dias pra relaxar, só que ao contrário. Isso era dia 5. Dia 8 estaríamos voando pra Orlando. Emoção pouca. 

Resolvemos fazer os exames do Canadá só na volta porque o tempo era curto pra resolver tanta coisa. Com dor no coração, no bolso e nas costas de tanto carregar caixa pra um lado e pro outro, devolvemos o apartamento nessa mesma semana. Ah detalhe, na entrevista com a Regina Maluta avisamos que a gente estava indo pra Orlando só passear e expliquei que já me via recebendo o e-mail lá dentro do parque olhando pro castelo, tudo muito romântico, a cara dos filmes da Disney. Não foi assim.

Como ela havia dito, até uma semana depois da entrevista estaríamos recebendo o e-mail. Só que eu estava no Florida Mall alegre e serelepe tomando o café da tarde (um vício que adquiri por lá) com minha mãe e tia enquanto meu marido estava com meu irmão e prima no Universal (simmm, O CONCORRENTE!!). Eu, muito esperta e viciada em internet, comprei logo no segundo dia um chip da AT&T que me cobrava dois dólares pra eu ligar e mandar SMS pra quem eu quisesse dentro dos EUA e acessar internet (sugiro que todos façam isso porque é super prático e barato). Então passava o dia no Facebook e vendo meus e-mails. E como quem não quer nada, entrei no Hotmail pra ver se alguém queria que eu comprasse alguma muamba. Qual não foi minha surpresa ao avistar as letrinhas D-I-S-N-E-Y dançando na minha frente. Fiquei toda me tremendo, sem querer contar pra mamãe, sem saber muito bem se ria, se chorava ou se ficava logo por lá. Mandei um whatsapp pro meu irmão pedindo pro Osório ver o e-mail dele urgente. E lá estava também. Os dois tinham passado. E os dois sem ter a menor noção do que fazer.

 Falei pra mamãe, fiz os mil cálculos com ela e com minha tia e as duas disseram: pelo dinheiro não vale a pena! Eu só podia concordar, né? Mas mesmo assim a estúpida da tal  voz interior ficou dizendo: mas pela experiência de vida vale demais, eu vou ser uma profissional melhor, vou ser uma pessoa melhor, vou realizar o sonho de ser cast member de novo, vou entrar nos parques de graça, vou poder brincar com as crianças sem os pais me olharem estranho, vou expandir meus conhecimentos em outras áreas. E assim fui me explicando a mim mesma própria porque eu tinha que ser Super Greeter.

Quando voltamos de viagem marcamos a consulta com o super simpático médico do Consulado canadense cujo nome muito se assemelha a Dick e pagamos a bagatela de 600 contos as duas consultas e mais 180 pilas de postagem para o fim do mundo. Quem não sabe os exames canadenses literalmente passeiam pelo mundo. Vão pra Trinidad e Tobago, São Paulo, algum lugar perdido na América Central e param em Ottawa. 

A consulta em si é mais tensa do que qualquer outra consulta normal. O médico não é dos mais simpáticos nem faz questão de ser. Mesmo com as piadas que o Osório se esforçou para contar. Ele fez umas perguntinhas tipo usa óculos, já fez alguma cirurgia, teve doença contagiosa, tem algum problema de saúde? Daí ele passa uns exames de sangue  e urina e de X-ray do tórax pra ter certeza que a gente é mesmo saudável. Detalhe: o exame de urina é assistido. Exatamente. A moçoila fica me olhando enquanto eu tento acertar o negócio no potinho. E cadê xixi? Eu tive que pedir pra ela ligar a torneira. Entrou para o top ten de momentos mais estranhos da minha vida.

Fizemos essa bateria de exames no final de março. E deu começo de abril e meio de abril e nada. E a Disney e STB me perturbando pelas passagens, passaportes, vistos. O negócio começou a ficar complicado, veio o tempo do choro e da desesperança achando que eu não ia nem pra um canto nem pro outro. Estava literalmente stuck in a moment.

Foi quando chegou o começo do final de abril. O negócio estava sério. Porque não tava dando mais, eu achava que tava tudo perdido, tinha feito a maior burrada da minha vida, tinha botado tudo a perder por causa de um sonho. A tensão já estava insuportável e precisava de um tempo longe da cidade. A gente tinha um voucher com duas diárias numa pousada em Canoa Quebrada que EU ganhei na festinha de final de ano do Fisk e tinha que ser usada até o começo de maio. 

Aproveitei Canoa pra relaxar e fazer a coisa que mais gosto de fazer quando eu viajo: bater perna, descobrir lugares que nem todo turista vai, bater um papo com o povo de lá, escutar as conversas. Andei pela Broadway, peguei um sol, tomei banho de mar, li um livro maravilhoso da Nora Roberts que viciei e obviamente, comi demais.  Não andei de buggy, mesmo Osório tendo insistido, porque achei que era muita emoção. Ah tá!

 Desapeguei de consulado, de visto, de viagem. Na segunda de manhã voltamos. E quando estávamos no meio do caminho, mais ou menos umas 10:30h recebi a seguinte ligação do cara da agência que ligou pro celular da mamãe: Suzana, fui informado que o processo de vocês junto ao consulado Canadense foi finalizado. Só preciso saber se o visto de vocês foi aprovado ou não.  e só vou ter essa informação depois de 14 horas. 

Aí eu pergunto: o que você faria com essa informação? Porque eu simplesmente fiquei em estado de choque. não sabia se já podia me tacar de joelho rezando, ou se o negócio já estava todo perdido. Eu lia o livro e pensava, olhava pro Osório e pensava. Mas o melhor da emoção foi que às 14h ele não tinha nenhuma resposta. Só depois de 16h esse homem foi me ligar avisando que eu agora tinha o visto canadense SW1 (study and work) e que já podia organizar tudo pra viajar. Agora sim eu podia exprimir minha reação mais típica: não exprimir nenhuma emoção. Porque só então eu olhava pro Osório e dizia: e agora? Disney e/ou Canadá? 

Demorou mais uma semana pra gente entrar num consenso. Conversamos, calculamos, pesquisamos, brigamos, contamos dinheiro, fizemos projeções, vimos datas. Com tanta tensão eu fiquei doente, caí com febre e garganta inflamada. Mas enquanto a gente decidia, tínhamos que esperar o passaporte aparecer na nossa frente. Tudo dependia do tempo de expiração do visto e só assim a gente saberia como encaixar as duas coisas. 

Porque agora ir só pro Canadá seria incompleto. A Disney deixou de ser o plano B pra fazer parte do plano.  Na sexta pude finalmente tocar no meu Azulzinho e ver que tínhamos até o meio de dezembro para entrar em Toronto. O universo conspirou. O negócio iria realmente acontecer. No sábado conseguimos as benditas 40 mil milhas só pra ir pra Miami, mas o site da TAM fez o favor de nos dar uma rasteira e não conseguimos comprar a passagem. Na segunda corremos pro site e quando o Osório viu precisávamos de 50 mil milhas. O fim do sonho. Não tinha como arranjar isso em tão pouco tempo. 

Pois é, agora entendo que pouca emoção é andar de buggy em Canoa Quebrada. Até hoje eu acho que ele fez de propósito pra terminar de esganiçar meu coração porque o lindo estava vendo as datas pra JUNHO e não pra MAIO. As 20 mil milhas ainda estavam esperando pela gente. Percebi que a segunda feira seria decisiva. Então sentamos e resolvemos. TUDO.  

Depois que o site deixou a gente comprar as passagens, fomos para o site do Consulado. Tanto eu como Osório sabíamos de cor e salteado como preencher o temido e sacal DS. Mas tudo mudou. Isso eu vou explicar em outro post.  Só que o difícil não é preencher o formulário. É rezar pro site não cair, pra sua foto ser aceita, pra você saber responder tudo direito, adaptar suas respostas com o passo a passo que a STB mandou e implorar pra achar uma pessoa que financie a taxa de 190 dólares. Nosso visto é diferente, então a taxa é mais cara. Todo esse processo, super prático e rápido, que qualquer um pode fazer, levou somente 1/2 manhã, uma tarde inteira e 1/4  da noite. 

Porque quando conseguimos marcar as duas entrevistas (sim, porque agora são duas!) pra semana seguinte ainda faltava um pequeno detalhe: comprar uma passagem. E como pra gente um pouco de emoção nunca é demais, compramos a passagem pra Natal. De lá iríamos com minha sogra de carro pra Recife.  Tudo pronto, tudo lindo. Só que a gente iria em voos diferentes. Isso não seria um problema para pessoas normais. Mas eu nunca, em toda a minha vida, viajei de avião sem um cristão conhecido por perto. Não é que eu morra de medo de avião. Eu tenho pânico, pavor, uma sensação inexplicável de angustia e aflição quando ele vai pousando, mas isso vai pro próximo post. 

Não foi difícil reunir os documentos, porque a gente já estava craque nisso com as pessoas que ajudamos a tirar os outros vistos e com o Consulado Canadense. O difícil mesmo foi aceitar que agora só o Consul ou a Consulesa iriam impedir a gente, porque além de sermos casados, estávamos desempregados (free lancers, como colocamos no formulário). E esse povo diplomático é cismado com tudo
, e são o típico exemplo das pessoas bipolares. Eles poderiam destruir os castelos que construímos com um sólido: VISTO NEGADO. Mas eu pensava, já que deu tudo certo até aqui, porque não forçar a sorte só mais um pouquinho? Afinal de contas, meu povo, quem não arrisca, não petisca. Papelada reunida, passagens compradas, cartão estourado, passaportes colados ao corpo. Foi assim que saí daqui pra Natal, certa de que esse negócio de muita emoção ainda não havia acabado.


2 comentários:

  1. Tô gostando da série de posts! E sempre fico curiosa para saber o que vai acontecer no próximo! Já fico aguardando!

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