Você vão entender o título depois. Mas eu preciso começar de ontem
terminei. Ou não terminei, porque teve gente que achou o posto incompleto.
Então vamos continuar com o dia da entrevista. Saímos do Senai, Sesc sei lá o
nome do lugar onde foi a palestra da Disney e corremos pro aeroporto tentar
pegar o próximo voo. Só lá no balcão da TAM ficamos sabendo que adiantar um voo
não se cobra nada. Já se voce quiser pegar um voo depois do seu horário, boa
sorte, tem que pagar taxas. #fikdik
Nosso vôo original era pra ser lá pras 21h e ainda eram 15h. Tirando o
fato que a gente ia pra Teresina e de lá pra Fortaleza e só chegaríamos à
capital umas 3 da manhã. Com muita sorte
vimos que a moça da TAM era uma helper. Porque tem as helpers e tem as bitches.
E no final das contas só tínhamos que ir pra Brasília, esperar uma horinha e
voar pra casa. Então tava tudo certo, tudo lindo, um dia perfeito. A tensão tinha
passado, eu tinha três dias pra relaxar, só que ao contrário. Isso era dia 5.
Dia 8 estaríamos voando pra Orlando. Emoção pouca.
Resolvemos fazer os exames do Canadá só na volta porque o tempo era
curto pra resolver tanta coisa. Com dor no coração, no bolso e nas costas de
tanto carregar caixa pra um lado e pro outro, devolvemos o apartamento nessa
mesma semana. Ah detalhe, na entrevista com a Regina Maluta avisamos que a gente
estava indo pra Orlando só passear e expliquei que já me via recebendo o e-mail
lá dentro do parque olhando pro castelo, tudo muito romântico, a cara dos
filmes da Disney. Não foi assim.
Como ela havia dito, até uma semana depois da entrevista estaríamos
recebendo o e-mail. Só que eu estava no Florida Mall alegre e serelepe tomando
o café da tarde (um vício que adquiri por lá) com minha mãe e tia enquanto meu
marido estava com meu irmão e prima no Universal (simmm, O CONCORRENTE!!). Eu,
muito esperta e viciada em internet, comprei logo no segundo dia um chip da
AT&T que me cobrava dois dólares pra eu ligar e mandar SMS pra quem eu
quisesse dentro dos EUA e acessar internet (sugiro que todos façam isso porque
é super prático e barato). Então passava o dia no Facebook e vendo meus
e-mails. E como quem não quer nada, entrei no Hotmail pra ver se alguém queria
que eu comprasse alguma muamba. Qual não foi minha surpresa ao avistar as
letrinhas D-I-S-N-E-Y dançando na minha frente. Fiquei toda me tremendo, sem
querer contar pra mamãe, sem saber muito bem se ria, se chorava ou se ficava
logo por lá. Mandei um whatsapp pro meu irmão pedindo pro Osório ver o e-mail
dele urgente. E lá estava também. Os dois tinham passado. E os dois sem ter a
menor noção do que fazer.
Falei pra mamãe, fiz os mil
cálculos com ela e com minha tia e as duas disseram: pelo dinheiro não vale a
pena! Eu só podia concordar, né? Mas mesmo assim a estúpida da tal voz interior ficou dizendo: mas pela
experiência de vida vale demais, eu vou ser uma profissional melhor, vou ser
uma pessoa melhor, vou realizar o sonho de ser cast member de novo, vou entrar
nos parques de graça, vou poder brincar com as crianças sem os pais me olharem
estranho, vou expandir meus conhecimentos em outras áreas. E assim fui me
explicando a mim mesma própria porque eu tinha que ser Super Greeter.
Quando voltamos de viagem marcamos a consulta com o super simpático
médico do Consulado canadense cujo nome muito se assemelha a Dick e pagamos a
bagatela de 600 contos as duas consultas e mais 180 pilas de postagem para o
fim do mundo. Quem não sabe os exames canadenses literalmente passeiam pelo mundo.
Vão pra Trinidad e Tobago, São Paulo, algum lugar perdido na América Central e
param em Ottawa.
A consulta em si é mais tensa do que qualquer outra consulta normal. O
médico não é dos mais simpáticos nem faz questão de ser. Mesmo com as piadas
que o Osório se esforçou para contar. Ele fez umas perguntinhas tipo usa
óculos, já fez alguma cirurgia, teve doença contagiosa, tem algum problema de
saúde? Daí ele passa uns exames de sangue
e urina e de X-ray do tórax pra ter certeza que a gente é mesmo
saudável. Detalhe: o exame de urina é assistido. Exatamente. A moçoila fica me
olhando enquanto eu tento acertar o negócio no potinho. E cadê xixi? Eu tive
que pedir pra ela ligar a torneira. Entrou para o top ten de momentos mais
estranhos da minha vida.
Fizemos essa bateria de exames no final de março. E deu começo de abril
e meio de abril e nada. E a Disney e STB me perturbando pelas passagens,
passaportes, vistos. O negócio começou a ficar complicado, veio o tempo do
choro e da desesperança achando que eu não ia nem pra um canto nem pro outro.
Estava literalmente stuck in a moment.
Foi quando chegou o começo do final de abril. O negócio estava sério. Porque
não tava dando mais, eu achava que tava tudo perdido, tinha feito a maior
burrada da minha vida, tinha botado tudo a perder por causa de um sonho. A
tensão já estava insuportável e precisava de um tempo longe da cidade. A gente
tinha um voucher com duas diárias numa pousada em Canoa Quebrada que EU ganhei
na festinha de final de ano do Fisk e tinha que ser usada até o começo de maio.
Aproveitei Canoa pra relaxar e fazer a coisa que mais gosto de fazer
quando eu viajo: bater perna, descobrir lugares que nem todo turista vai, bater
um papo com o povo de lá, escutar as conversas. Andei pela Broadway, peguei um
sol, tomei banho de mar, li um livro maravilhoso da Nora Roberts que viciei e
obviamente, comi demais. Não andei de
buggy, mesmo Osório tendo insistido, porque achei que era muita emoção. Ah tá!
Desapeguei de consulado, de
visto, de viagem. Na segunda de manhã voltamos. E quando estávamos no meio do
caminho, mais ou menos umas 10:30h recebi a seguinte ligação do cara da agência
que ligou pro celular da mamãe: Suzana, fui informado que o processo de vocês
junto ao consulado Canadense foi finalizado. Só preciso saber se o visto de
vocês foi aprovado ou não. e só vou ter
essa informação depois de 14 horas.
Aí eu pergunto: o que você faria com essa informação? Porque eu simplesmente
fiquei em estado de choque. não sabia se já podia me tacar de joelho rezando,
ou se o negócio já estava todo perdido. Eu lia o livro e pensava, olhava pro
Osório e pensava. Mas o melhor da emoção foi que às 14h ele não tinha nenhuma
resposta. Só depois de 16h esse homem foi me ligar avisando que eu agora tinha
o visto canadense SW1 (study and work) e que já podia organizar tudo pra
viajar. Agora sim eu podia exprimir minha reação mais típica: não exprimir
nenhuma emoção. Porque só então eu olhava pro Osório e dizia: e agora? Disney
e/ou Canadá?
Demorou mais uma semana pra gente entrar num consenso. Conversamos, calculamos, pesquisamos,
brigamos, contamos dinheiro, fizemos projeções, vimos datas. Com tanta tensão
eu fiquei doente, caí com febre e garganta inflamada. Mas enquanto a gente
decidia, tínhamos que esperar o passaporte aparecer na nossa frente. Tudo dependia
do tempo de expiração do visto e só assim a gente saberia como encaixar as duas
coisas.
Porque agora ir só pro Canadá seria incompleto. A Disney deixou de ser
o plano B pra fazer parte do plano. Na sexta
pude finalmente tocar no meu Azulzinho e ver que tínhamos até o meio de
dezembro para entrar em Toronto. O universo conspirou. O negócio iria realmente
acontecer. No sábado conseguimos as benditas 40 mil milhas só pra ir pra Miami, mas
o site da TAM fez o favor de nos dar uma rasteira e não conseguimos comprar a
passagem. Na segunda corremos pro site e quando o Osório viu precisávamos de 50
mil milhas. O fim do sonho. Não tinha como arranjar isso em tão pouco tempo.
Pois é, agora entendo que pouca emoção é andar de buggy em Canoa
Quebrada. Até hoje eu acho que ele fez de propósito pra terminar de esganiçar
meu coração porque o lindo estava vendo as datas pra JUNHO e não pra MAIO. As 20
mil milhas ainda estavam esperando pela gente. Percebi que a segunda feira
seria decisiva. Então sentamos e resolvemos. TUDO.
Depois que o site deixou a gente comprar as passagens, fomos para o site
do Consulado. Tanto eu como Osório sabíamos de cor e salteado como preencher o temido
e sacal DS. Mas tudo mudou. Isso eu vou explicar em outro post. Só que o difícil não é preencher o formulário.
É rezar pro site não cair, pra sua foto ser aceita, pra você saber responder
tudo direito, adaptar suas respostas com o passo a passo que a STB mandou e
implorar pra achar uma pessoa que financie a taxa de 190 dólares. Nosso visto é
diferente, então a taxa é mais cara. Todo esse processo, super prático e rápido, que qualquer um pode fazer, levou somente 1/2 manhã, uma tarde
inteira e 1/4 da noite.
Porque quando conseguimos marcar as duas entrevistas (sim, porque agora
são duas!) pra semana seguinte ainda faltava um pequeno detalhe: comprar uma
passagem. E como pra gente um pouco de emoção nunca é demais, compramos a
passagem pra Natal. De lá iríamos com minha sogra de carro pra Recife. Tudo pronto, tudo lindo. Só que a gente iria
em voos diferentes. Isso não seria um problema para pessoas normais. Mas eu
nunca, em toda a minha vida, viajei de avião sem um cristão conhecido por
perto. Não é que eu morra de medo de avião. Eu tenho pânico, pavor, uma
sensação inexplicável de angustia e aflição quando ele vai pousando, mas isso
vai pro próximo post.
Não foi difícil reunir os documentos, porque a gente já estava craque
nisso com as pessoas que ajudamos a tirar os outros vistos e com o Consulado
Canadense. O difícil mesmo foi aceitar que agora só o Consul ou a Consulesa
iriam impedir a gente, porque além de sermos casados, estávamos desempregados
(free lancers, como colocamos no formulário). E esse povo diplomático é cismado
com tudo
, e são o típico exemplo das pessoas bipolares. Eles poderiam destruir
os castelos que construímos com um sólido: VISTO NEGADO. Mas eu pensava, já que
deu tudo certo até aqui, porque não forçar a sorte só mais um pouquinho? Afinal
de contas, meu povo, quem não arrisca, não petisca. Papelada reunida, passagens
compradas, cartão estourado, passaportes colados ao corpo. Foi assim que saí
daqui pra Natal, certa de que esse negócio de muita emoção ainda não havia
acabado.
Ameii!!
ResponderExcluirTô gostando da série de posts! E sempre fico curiosa para saber o que vai acontecer no próximo! Já fico aguardando!
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