Depois de tomar o café delícia e conversar com nossos managers fomos experimentar roupas. Aí sim foi um sufoco, porque além de eu ter comido horrores nesse café, descobri que estou entre manequins, então não existia um short que ficasse decente em mim e o que ficaria bom, já tinha acabado. Tinha que ir pro Magic Kingdom pegar essa bendita costume.
Logo no dia seguinte tivemos um treinamento no Epcot. Andamos pelo bendito parque uma parte do dia, usando roupa social em um calor de rachar. Finalmente conheci o backstage do parque porque eu não sabia nem pra onde ia e tivemos um tipo de batismo, que fizemos um juramento de não tecer maiores comentários.
E como foi tudo corrido, conhecemos nossas treinadoras e teríamos que estar no parque no dia seguinte, prontas para o treinameno.
Esse tal de treinamento foi simplesmente para conhecer os restaurantes e atrações mais lotados e conversar com os managers para saber como ajudá-los. Nem aprendemos a usar o rádio, que seria nossa principal ferramenta de trabalho e já fomos jogados no meio do parque no dia seguinte.
A linda da Lei de Murphy tinha que aparecer e por isso, as pessoas chegavam com as perguntas mais difíceis de imaginar. Quantos pins do Peter Pan existiam. aonde eles iam pro baile de gala, quantos minutos durava tal atração. Perguntas que hoje eu saberia responder tranquilamente, mas que no primeiro dia e nos dias que se seguiriam eu não saberia responder nem a pau.
E aos poucos os outros cast members foram se tocando da nossa presença. Com muita paciência ou não, ele foram descobrindo o que a gente tinha vindo fazer. Nossas fotos foram colocadas nas televisões do backstage do parque inteiro. E nós fomos ficando famosos e bajulados. Ganhamos vários apelidos. Os Verdinhos e Smurfs Verdes foram os mais conhecidos. Temos autonomia para fazer muitas coisas que um simples cast member não pode fazer. O dom de ter pulso firme e ainda assim ser adorável que aprendi no Fisk foram essenciais para o bom relacionamento com os grupos e com os guias.
No meio de junho os grupos foram chegando. Primeiro vieram uns de Porto Rico. Comos eles eram calminhos e comportados, foi ótimo para testarmos nossa eficiência. Uns grupos pequenos de brasileiros chegavam timidamente e ficavamos imensamente felizes por poder mostrar serviço. Toda vida que eles chegavam, mil olhos voam em nossa direção, esperando que a gente faça um trabalho bem feito.
Mais pro final do mês chegaram argentinos e brasileiro em grupos maiores. À medida que íamos convivendo com eles, melhores ficávamos em nossa posição e cada vez mais, a pressão aumentava em cima da gente. Muitos Cast Members comçaram a contar com a gente sempre que os grupos chegavam.
Finalmente chegou Julho. A cada dia vemos o parque ser mais e mais invadido por grupos da América do Sul. Meu coração sempre fica na mão, primeiro por não saber como será a recepção dos guias com a gente. Segundo porque não sei se os brasileiros vão se comportar mal e me matar de vergonha.
Não importa o quanto a gente diga que somos um povo feliz. Estamos no país alheio e temos que respeitar e para de cantar e gritar no momento em que eles se sentem desconfortáveis com isso. Agora, no meio de julho, apesar de o trabalho ser pesado e cansativo, me sinto bem ao fazê-lo. Principalmente pelo alívio estampado na cara das pessoas que trabalham comigo, ao saberem que eu estou lá para ajudá-las e também pela tranquilidade dos brasileiros por verem que não estão abandonados. A cada dia é uma nova experiência, noções de trabalho em grupo, cultura organizacional e marketing de relacionamento que nunca vou esquecer.
Ainda tenho umas duas semanas pela frente e sei que serão as mais lotadas. Mas temos nos preparado para isso todo esse tempo.
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