domingo, 1 de julho de 2012

Rito de passagem parte 1: Traditions

Olá amigos leitores (que bregaa),
finalmente criei coragem para escrever este post que espero profundamente que seja menor do que os outros. Como todos devem saber, não é tão fácil assim ser um Disney Cast Member. Temos que passar por várias fases depois que nosso visto é aprovado.  Primeiro que somos jogados numa sala congelante no Commons e uma moça denominada de Sara Smiles, de posse de um sorriso assustador vem explicar pra gente o que podemos e o que não podemos fazer por aqui. Drogas, não pode. Bater no amiguinho, também não. Ficar até 1:01 da manhã no condomínio alheio, pode lhe causar problemas. E por ai vai. Além disso, é uma tal de  check in pra cá, olha o passaporte aqui,  papelada para lá, somos levados de um canto para outro assinando termos de confidencialidade, de uso de internet, de posse de uniformes que aqui são chamados de fantasias. Vem uma moça que me senta e diz: dá um sorriso e quando vejo, minha foto foi impressa na minha identificação do condomínio. Mas apesar de eu ter dado meu sorriso mais feliz, ela pegou minhas bochechas e estirou no Paint. Resultado, eu virei o Fofão com pescoço de travesti.Isso ai ja consegui superar. 
Depois disso tudo veio a saga da nametag. Aqui na Disney, TODOS os funcionários são tratados pelo primeiro nome. Essa história de Mr-Mrs último nome não rola por aqui. E para minha sorte, qual é meu primeiro nome? FRANCISCA. Eu sei que é um nome lindo. Mas eu não me reconheço sendo Francisca. Não combina comigo. Falei com todas as pessoas que poderiam me ajudar a ter o segundo nome no meu lindo crachá. Mas fui informada que isso só poderia ser feito no Traditions. 
O Traditions é o primeiro de vários treinamentos. Ele é o pilar para entrar na companhia. É tanto que para frequentá-lo precisamos ir vestidos com roupa profissional, como se fossemos para uma entrevista de emprego. A reunião acontece na Disney University, que é um prédio que cuida da parte educacional e cultural, voltada para os funcionários da empresa. 
Em vez de pegarmos o onibus que estaria saindo às sete em ponto lá do Vista Way (eu moro no Chatham, então teria que pegar um onibus antes de sete da manha para estar lá, o que seria pedir demais da minha pessoa), conseguimos uma carona e só tivemos que chegar no Vista às 7:20. YAAYY

Chegamos na Disney University


Assim que chegamos, recebemos nossa Disney ID azulzinha, o que nos permite entrar nos parques e receber nossos miseros descontos que dessa vez chegou no maximo a 20%.Depois de uma fila, chegou a hora de resolver meu problema de dupla identidade. Quando expliquei que queria mudar minha nametag ele disse: contanto que seja derivado do seu primeiro nome. Meu mundo caiu. O que eu ia botar? Fran, Cisca, Cis, Frannie, Franci, Francis? Não queria nada daquilo. Expliquei que  tinha dois primeiros nomes, mas eu me conhecia pelo segundo. Ele disse: Verei o que posso fazer. Eu tinha portanto uma réstia de esperança.

Antigamente, o curso durava oito horas. Passavamos o dia com o bumbum grudado na cadeira, escutando eles falarem sobre a história de Walt Disney, a cultura da empresa, os anos de abertura dos Parques, a compra dos terrenos na Florida, cantavamos a música SAFETY BEGINS WITH ME e tinha mais umas duas horas falando de assédio sexual, o que era considerado e o que não era. Dessa vez foi diferente. 
A Disney ficou mais sovina e tudo foi reduzido para quatro horas de duração. Começamos com uma moça fazendo umas trivias sobre conhecimento geral da companhia. Logo depois chegaram nossos facilitators, que trabalham há mil anos por aqui, e falaram sobre a empresa em vinte minutos, depois dividimos experiências que tivemos tanto como guest ou como cast member pela nossa mesa. E claro, Osório compartilhou a dele com todo o resto da sala. Alguem adivinha o que foi? Sim, o pedido de casamento.
O bom é que ainda ainda deu tempo de fazer umas dinâmicas  Uma delas foi que tivemos que listar o máximo de personagens da Disney que podíamos.  
A Disney resumia sua cultura na SEVEN guidelines. Mas eles conseguiram reduzir tudo para as FOUR keys. Cada vez mais mão de vaca. Mas afinal, o que são essas KEYS?

A primeira e mais importante delas é SAFETY. Ela está acima de todas as outras. Aqui nos Estados Unidos, as leis trabalhistas são pessimas, mas o direito do consumidor é super valorizado. Quando você entra no parque, a Disney está responsável por você. E se algo der errado é muito fácil culpar a companhia. Por isso mesmo, a segurança é a chave de tudo. Sempre que virmos algo de errado, devemos falar e reverter a situação. Seja uma criatura descalça ou uma criança se pendurando nas grades, temos que falar. Mesmo que passemos por cima da outra Key que é a COURTESY. 
Já é conhecimento do mundo inteiro, que o marketing de relacionamento da Disney é fortissimo. O cliente é leal, ele sempre quer voltar. E as pesquisas dizem que eles não querem voltar por causa dos brinquedos, ou das atrações, mas por causa dos funcionários. Temos que ser proativos e fazer de tudo para que o cliente tenha uma experiência fantástica por aqui. Junto com a cortesia está a EFFICIENCY. Se houver algum problema, ele deve ser resolvido o mais rápido possível, o cliente não deve sofrer ou perder tempo por um erro da empresa.
 A decoração feita nas filas, faz com o que o cliente sinta que não está perdendo tempo esperando e sim apreciando. Os teatros são grandes, os brinquedos tem vários assentos, para que as filas não sejam tao longas. E ainda tem a key que representa a Disney itself. O SHOW. Estamos no palco o tempo inteiro, Somos personagens, somos parte de tudo aquilo que Walt imaginou. Todos temos que representar nosso papel perfeitamente. E apesar de isso nao ser considerado uma key acredito que ela fecha o ciclo da companhia:  LIMPEZA. Faz parte do nosso papel  deixar tudo limpo. Se tem um papel no chão, devemos apanhá-lo, se alguem vomitou, temos que chamar um custodial e ter certeza que a area esta limpa. 

Mas tudo isso não nos foi explicado. Atravessamos a rua e fomos para o Magic Kingdom ver essas keys serem colocadas em prática. Nos dividimos em dois times e com um rádio que nos permitia escutar nosso facilitator, fomos dar uma volta pelo parque. Ok, ótimo, lindo. Mas eu estava de salto. E tivemos que andar o parque por cima e por baixo. Na verdade o Magic foi construido no segundo andar, porque na Florida não se pode construir no subsolo porque é tudo alagado, tudo pantano. Ja pelos bastidores encontramos tres princesas e ninguem queria mais escutar o pobre do instrutor.

Entramos pela Main Street e o lindo do Pluto ficou correndo ao nosso redor enquanto o coitado ficava falando. Fomos até o fim da Fantasyland com meus pés gritando e finalmente voltamos. Com meus pés aliviados, foi a vez de discutir sobre as keys que vimos no parque e de repente, alguém bate na porta insistentemente. 
 Era o boss com uma caixa de nametags!!


 Meu coração pulou porque tinha chegado a hora da verdade. Eu seria Francisca ou Suzana pelo resto do programa. Quando chegou nossa vez fui procurando logo pelo F, já derrotada e arrasada. Mas não tinha nenhum F. E só faltei dar um duplo twist carpado quando vi a fofa da minha nametag com meu nomezinho. 



O Traditions terminou com histórias de Magical Moments lindas, que fez todo mundo chorar. E às 12:30 estavamos todos liberados para comer e dormir.  
Como eu sou ryca e sortuda, voltei de carro também. YAYY. 
E no dia seguinte teriamos nosso teste de roupa e café da manhã com os managers. 

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